Crônicas do Mar

A viagem

Silhueta em preto e branco de um homem e uma criança sentados na areia da praia, de mãos dadas, contemplando a imensidão do mar sob um céu nublado.
Divisória

Aquela solidão que sentia não era de toda ingrata naquele momento, era sobretudo uma sombra do seu antigo eu, um antigo pequenino. E de mãos dadas permaneceram, depois de dias, contemplando o infinito, o céu azul e a vida em sua mais pura forma e esplendor.

De mãos dadas…

Foi assim que, por entre os feixes de luzes de sol, sentados na areia, eles entenderam que a vida é uma caminhada incerta. Decerto, o homem não esperava muito. Embora sua gentileza não falhasse, o mundo não se compadecia.

Aquele olhar…

Convencidos de que a realidade poderia acabar ali mesmo, convencidos de que voltaram pra casa, seu longínquo lar, há muito esquecido dentro daqueles sonhos de natal e aconchego… sonhos que apenas seu menino lembrava. Sonhos de carinho e aconchego, daqueles que te abraçam forte em dias de chuva e frio. Aqueles… aqueles sonhos com gosto de chocolate quente feito pelas mãos de vó.

De mãos dadas…

Foi como chegaram ali e da mesma forma, saíram... um só.

No final, era somente disso que o homem precisava. Era a força para seguir determinado a encarar esse futuro de incertezas.

Ali, consigo, ele fora feliz e realizado.

De mãos dadas.


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Divisória
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